terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Primeiro Dia

Então era isso: Bruno e Amanda iam morar na mesma casa. E eles estavam achando isso sensacional.

No primeiro dia em que passaram em sua nova casa, os dois ficaram quase todo o tempo no quarto de Amanda. Primeiro ouviam música: Bruno mostrava seu CDs de rock para Amanda, mas ela logo se cansou daquilo tudo, rock pesado não era com ela! Colocou um CD de forró, e é claro que Bruno reclamou, implicou, e a chamou de patricinha... Ele sabia que ela não era nenhuma patricinha, e que nem gostava tanto assim de forró, mas ele adorava ver a sua carinha de brava, ate por que, toda vez que a garota tinha um ataque de raiva, ia com tudo pra cima de Bruno, e ele apenas a segurava. Ela tentava se livrar de seus braços, lutava, e acabava desistindo, fazendo uma careta, ou até mesmo, enchendo o namorado de beijos, e é claro que Bruno se divertia muito com essa situação.

Mas dessa vez ela não ligou para as implicâncias. Dançava ao som de Elba Ramalho, uma música lenta e romântica. Ouvia de olhos fechados, dançava de uma forma sensual, mas ao mesmo tempo inocente. Seu rosto tinha uma expressão plena de felicidade.

Abriu os olhos e viu que Bruno a olhava com tanta ternura. Pensou em dizer a ele que não sabia se poderia estar mais feliz, mas apenas sorriu e estendeu a mão convidado-o para dançar.

Ele pegou em sua mão, mas ficou parado, como se quisesse, ao invés de dançar com ela, apenas vê-la bem de perto. Ver seu rosto, moreno e lindo, envolto em suas longas madeixas negras, que dançavam também no balanço do seu corpo, e sentir seu suave perfume.

Amanda fechou novamente os olhos, e dançando, foi aproximando seu corpo ao do namorado. Dançava leve e linda. Colocou seus braços sobre os ombros do amado, e cantava baixinho, quase sussurrando:

“Oiô, ioiô, ioiô, me encantei por teu olhar... Moreno, chega mais pra cá. Meu dengo, vem me chamegar...

Oiô, ioiô, ioiô, seu jeito de balancear, o corpo inteiro, faz meu coração bater ligeiro. Assim eu vou me apaixonar.”

Aos poucos o corpo de Bruno ia se envolvendo ao ritmo da música, à melodia, cantada por sua amada, e ao corpo dela que requebrava suave.

Abraçou-a, e antes que pudesse arriscar alguns passos, naturalmente desastrosos, Amanda foi diminuindo o ritmo. Pegou o rosto dele entre as mãos, observou cada detalhe, como se fosse a primeira vez que o via (observou cada detalhe do rosto de Bruno, como se nunca o tivesse visto). Ela adorava seu rosto... Os olhos lindos e castanhos (pretos), sobrancelhas grossas, pele clara, o nariz fino e empinado...

Passou os dedos de leve em suas sobrancelhas, desceu o indicador por seu nariz, até a boba. Contornou-a com os dedos, e deslizou sua mão novamente para a face do garoto.

Ela gostava de sentir aquela pele, tão macia. Bruno deu nela um “selinho”, tão de leve, com se não quisesse quebrar o clima de doçura.

Amanda retribuiu com um beijo terno, calmo e apaixonado.

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